O balanço da economia brasileira em 2005 foi bom, mesmo com o pequeno crescimento do PIB de 2,3% abaixo do previsto. No período podemos destacar a estabilidade econômica, menos vulnerabilidade externa e a preocupação do governo com toda a economia brasileira. Acertou na redução da divida publica em dólar, outro fator importante foi seriedade das autoridades monetárias com a inflação acumulada em 5.69% um pouco acima da meta, que tratou do assunto com punhos fortes, com taxas de juros elevadas. Com essas medidas os principais índices de preços obtiveram bom desempenho porém com o crescimento da economia abaixo do esperado. É bom ressaltar que com a redução da inflação pelo terceiro ano consecutivo foi bom para a população mais pobre, diminuindo a desigualdade com a melhor distribuição da renda nacional.
No ano de 2005 os melhores resultados foram: a queda da divida/PIB de 57.2% em 2002 para 51.6%, com recorde no superávit comercial de US$ 44.8 bilhões, o superávit em conta corrente e crescimento da reservas internacionais. Tudo isso levou a queda do risco-país a 311 pontos no inicio de dezembro, melhorando 10 pontos a confiança dos investidores estrangeiros, ocupando a sétima posição no ranking das economias mais atraentes para investimentos. A grande liquidez internacional colaborou para este cenário positivo, com possibilidades de abrir novas frentes, buscando taxas de crescimento mais elevadas, seguindo o bom desempenho dos principais países emergentes.
Além da redução dos juros, é necessário o controle e redução dos gastos primários da União, atualmente acima dos 20% do PIB, que vem crescendo acima da economia. Para elevar o superávit sem o corte dos gastos, seria necessário o aumento da carga tributaria a qual foi elevada 10% do PIB de 1993 a 2004. É bom lembrar que elevar os impostos para financiar despesas de custeio, atrapalha o setor produtivo com a retirada dos recursos, penalizando toda a sociedade.
O escândalo político com todas as denuncias envolvendo políticos da base aliada do governo, mensalão, caixa 2 etc.e ainda em ano de eleições, toda essa turbulência não tirou a economia dos trilhos. O cenário para 2006 é bom com previsão de superar 2005, com a inflação em baixa, menores taxas de juros e com o PIB superior ao de 2005.
Voltando um pouco no tempo, 2004 foi um bom ano para a economia brasileira com bons resultados, o PIB cresceu 4,9% , a melhor taxa desde 1994 quando foi vencida a inflação. Neste ano a demanda que soma o dispêndio para o consumo e investimentos, públicos e privados teve crescimento de 3,9%, já a demanda externa, exportações liquidas de bens e serviços cresceram 30,7%, tudo isso só foi possível porque a política monetária baixou a taxa básica de juro a 16% ano em abril 2004, menor taxa desde 2001. Com os juros a um nível aceitável, o mercado de trabalho foi reativado com 3,2% de crescimento e 3,5% de aumento da massa real de rendimentos, aliado a um mercado de crédito bem definido. Também merece destaque os investimentos em capital fixo, com a taxa média bruta de capital acima dos 18,6% do PIB. A conjuntura internacional beneficiou o setor exportador, expandiu o PIB mundial em 5,1 e com a taxa de cambio em termos reais 15% acima da média, os preços dos produtos exportados e importados aumentaram em 10% e aumento de 30,6 nas exportações.
Um fator importante para esse bom desempenho, foi o aproveitamento do parque industrial e a força de trabalho ociosa, depois de um longo período de estabilização econômica, mas mesmo assim ainda a economia brasileira apresentou problemas estruturais para uma expansão mais ousada. Houve expansão da demanda agregada e mesmo com o aumento de produção não foi possível atender toda a procura, iniciando ciclo inflacionário. O Banco Central não perdeu tempo e a partir de setembro de 2004 deu início à elevação da taxa selic até junho de 2005. Era clara a necessidade de aumentar a taxa de juro, porém com uma política monetária menos conservadora.
A economia brasileira para 2005 apresentava um cenário ainda favorável, mesmo com a elevação da taxa selic, os analistas apostavam que apesar de todos esses problemas comentados o país ainda tinha condições de crescer sustentadamente, superando o péssimo desempenho das últimas décadas, quanto à inflação eles acreditavam que se resolveria em curto prazo. A liquidez internacional estava dentro do aceitável e tudo indicava que 2005 seria um ano com bom desempenho econômico, com crescimento razoável da demanda interna e sustentação de saldo comercial confortável. Os analistas projetaram crescimento do PIB de 3,5%, variação do IPCA em 5,7%, meta em 4,5%, a taxa selic encerraria o ano a 16,0%, conjunto de preços determinados por contratos e administrados pelo governo com variação de 7,0%. A tendência era de valorização do real em relação ao dólar, com a paridade em termos reais dentro do razoável., porém era consenso entre os analistas que a moeda se depreciaria mantendo a paridade, o superávit em 2005 cairia para US$ 26,4 bilhões, sendo que em 2004 ficou em US$ 33,6 bilhões.